Hoje minha mãe chilena chegou aqui dizendo que metade dos 30 brasileiros que desembarcariam na minha escola amanha não viriam mais.
Triste. Não que me falte semelhantes por perto, mas por perceber que nosso povo é de fato ignorante. Não é ofensa gratuita não, é constatação da falta de informação que me parece uma característica tão marcante nos brasileiros como samba, futebol e falta de senso politico.
Passei longe de uma faculdade de medicina, mas por aqui convivo com duas pessoas que freqüentam o meio. Um é estudante, o outro pesquisador. Ambos tem uma abordagem bem sólida sobre o assunto. Em comum os seguintes argumentos:
Qualquer gripe pode matar, principalmente crianças, idosos e demais pessoas com sistema imunológico. A OMS afirma que todos os anos 250 a 500 mil pessoas morrar por conta de mutações da gripe comum.
Algumas das pessoas que morreram, o caso do Brasil inclusive, era de pessoas que chegaram apresentando quadro de pneumonia, doença que por aí mata aproximadamente 20 mil pessoas por ano, na faixa acima dos 65 anos.
A maior parte dos casos chilenos está no sul do país, onde as temperaturas estão muito mais baixas.
A ultima morte aqui no Chile foi de um menino de 5 anos que chegou a uma clinica no interior com obstrução bronquial e distrofia muscular de Duchenne, uma doença hereditária que provoca degeneração muscular. Era um quadro de 3 dias de gripe. Ao todo, 14 pessoas morreram por aqui por conta da gripe.
A comunidade brasileira em Santiago do Orkut aponta um grupo significativo de pessoas que apresentaram o vírus. Todos se trataram, todos estão bem.
No que eu acredito? Acredito que estou tão em risco quanto vocês. E que ao menos no Chile os números reportados conferem com a realidade. Se vale a pena cancelar uma viagem pra cá por conta da gripe. Na minha visão não. Mas não custa ficar atento, principalmente se você é daquelas pessoas que fica doente fácil.
Santiago é definitivamente uma cidade de muitas mordidinhas. Barros Luco, Empanadas, Pastel de Choclo... e algumas bebidinhas bem perigosas. Enquanto todo mundo falava do Pisco, eu resolvi provar o Terremoto.
Difícil não pensar em fazer piadinha com os tremores de terra que tanto castigaram o passado do Chile (e ainda assombram). O pior deles em 1960, quando cerca de 3.000 mil pessoas morreram e mais de 2 milhões ficaram feridas.
Aí vai a receita desse tremor de sentidos (afffff... escapou!):
Fernet, feito com ervas e álcool de uvas maceradas.
Vinho Pipeño, um vinho vagabundo feito de bagaço de uvas de cor estranha.
Sorvete de Abacaxi (!!!).
Tomamos o Terremoto em um lugar que faria inveja aos botecos mais podres da Praça da Sé, chamado Las Tejas. Acredite, você não quer o endereço. Lá os chilenos "bonitos" batiam palma e assobiavam toda vez que uma mulher levantava da mesa para ir ao banheiro (ok, estávamos de algumas gringas que mereceriam um 7 no Brasil)
Já sob efeito do balanço da bebida (oooops, i did it again), alguém teve a idéia de ir a uma festa de Cumbia Chilena. Underground é pouco meu amigo, parecia uma festa de Filosofia na USP do Parque Ecológico. Original é pouco! Muita gente bonita viu. E acreditem, até que a música é contagiante.
Fim de noite. O cheiro de churrasquinho impregnou até na minha careca. Era hora de sair para achar um taxi, chegar em casa e dormir gostoso, onde o único tremor seria causado pelo ronco grave deste que vos fala.
E chega de péssimas infâmias sobre terremotos, meu deus!
As chuvas que vieram no final da semana passada trouxeram o frio e a neve ao Chile. As temperaturas aqui estão beirando zero, principalmente pela manhã. Com a neve, uma horda de brasileiros abastados e nem por isso menos farofeiros invadem as pistas de El Colorado, Valle Nevado e La Parva.
Ontem juntamos uma turma boa e resolvemos subir. E agora eu passo a contar a história a partir das besteiras que fizemos.
Besteira 1, os equipamentos e o transito Nos encontramos no metro as 8h00 e seguimos para a loja que aluga todo o equipamento e a roupa, assim como providencia as vans que sobem as pistas de gelo. Parecia simples, e imaginamos que as 9h00 estaríamos de saída. Entretanto muita gente teve a mesma idéia e a loja estava abarrotada. Acabamos saindo na ultima van do dia, com muito glamour, carregando nosso equipamento em sacolas plasticas de supermercado. Para piorar, nosso motorista aprendeu a dirigir com o Rubinho e uma viagem de 1 hora e pouquinho levou quase 2 horas e meia, por curvas de quase 180 graus cobertas de gelo, a 2.000m de altura. Perdemos metade do dia só no deslocamento. Dica: informe-se no hotel onde está ou nas empresas especializadas (como a Ski Total) para reservar seu equipamento um dia antes.
View Larger Map A serra de Maresias acaba de virar uma reta pra mim
Besteira 2, os tickets Nós não compramos tickets em Santiago, e deixamos para compra-los na entrada da pista. Acontece que em todas as terças desta temporada haverá uma promoção do Banco do Chile, em que seus cliente trocam ingressos de graça. Apenas um guichê vendia as entradas para os demais visitantes. Não fossem os americanos na fila, aqueles que eu gostaria muito de socar o nariz, perderiamos mais 1 hora na fila. Dica: compre os tickets aqui em Santiago. Para esta temporada, o próprio Banco do Chile está vendendo a preços mais baixos Besteira 3, a comida Sai cedo de casa e quase não comi. Com a bagunça na loja, cheguei a estação morto de fome. Eram 12h30 e curiosamente a lanchonete estava vazia. Juro que nunca mais reclamo do preço da Lanchonete da Cidade! Logo percebi porque, um pão mole e sem graça, com dois Sadia bem zoados e um queijinho derretido valem 7 mil pesos. Ou seja, 28 reais!!! Cada garrafa de água sai por 8 reais, um gatorade mais 10 reais. Dica: brasileirada, animai-vos, as farofas são bem vindas! Todo mundo sai daqui com um sanduba, um suco e uma fruta. Besteira 4, eu sou foda! Achar que, só porque você ficou em cima da prancha a 10 anos atras, se qualifica a um snowboarder é uma grande besteira. Para quem não manja, até mesmo prender as botas a prancha pode se tornar uma tarefa para o Super Obama. Eu levei 3 tentativas e 40 minutos para subir a montanha pelo trenó, ou seja lá como chama isso. E depois mais 1 hora pra descer a pista para debilóides, que deve levar menos de 2 minutos para quem já tem mais intimidade com a prancha. Dica: deixe o orgulho de lado e junte-se as crianças para uma horinha de aula. Doe o bolso e a bunda, mas te previne de passar vergonha. Toda estação oferece este serviço.
Sobre El Colorado, me pareceu uma boa pista para quem tem alguma experiencia com ski ou snow. Mas a estrutura é ruim se levarmos em consideração o valor do ticket. Não há um vestiário descente e os lockers se lotam rapidamente, te deixando com a sacola de supermercado na mão. Na próxima, vamos tentar Valle Nevado.
E logo no primeiro fim de semana faço aquela que tem tudo para ser a viagem mais bacana do mês. Algarrobo!!!
Ta bom, fui pra Viña del Mar e Valparaiso também, encontrei com inúmeros micro ônibus da CVC com brasileños tirando fotos de estátuas que eles nem sabem o que representam. Mas Algarrobo!!!! é o máximo!
Começou de uma forma que me fez querer desistir forte! Imagina sexta-feira pré feriado em SP, com chuva? Cenário do capeta, certo? Foi isso que encontramos ao sair de Santiago, 3 horas de transito cornofeladaputa! "Encontramos" porque estavamos Bacana, Adriana e eu em um pequeno Toyota.
Finalmente saímos, chegamos rapidamente ao litoral. Entramos pela portaria, estacionamos o carro, subimos ao 9o. andar e PUTAQUEPARIU!!! Uma piscina de 1 Km de extensão. Definitivamente, o mais próximo que cheguei de Dubai! (sim, enquanto estiver falando de Algarrobo, vocês verão muitas exclamações).
O ape que alugamos era fantástico, com uma varanda imensa voltada para o mar e decoração muito charmosa. LCD na parede, churrasqueira a gás, chão aquecido, queria morar lá e nunca mais voltar ao mundo real!
Na verdade, ficamos em San Alfonso del Mar, que é um condomínio de prédios em Algarrobo. Aprendam brasileiros, deixa a Riviera como Santos! Lá tem um restaurante subterrâneo onde você janta com peixes e tubarões, uma pequena praia artificial de aguá quente e salgada, restaurantes baratos e deliciosos e sim, a piscina gigante, onde o povo faz aula de vela. Sim, barcos na piscina! E tem umas traquitanas divertidas, como uma cama elástica no meio d´água. HOW COOL IS THAT???!!!
É verdade, fomos a Isla Negra (e toma casa de Pablo Neruda), Valparaíso e Viña. Nem tenho vontade de escrever a respeito, então fica pra outro post. Mas já vou adiantando, nada de mais!
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Santiago definitivamente é uma cidade que se gosta a medida que o tempo passa. Imaginem tudo de bom que São Paulo oferece, em uma cidade de 6 milhoes de pessoas?
A vida cotidiana de Santi é o que encanta. Onde você vai encontra um parque. E nessa época do ano eles ganham uma cara bem... bem... sei lá, bucólica acho! Cinza no céu, luzes que acendem cedo, arvores e suas folhas no chão. Particularmente acho lindo, principalmente quando o randon do iPod coopera.
Hoje é dia de futebol com os chilenos. Espero apenas não envergonhar meu país. Amanhã ta pintando uma viagem meio na louca e sem planejamento. San Alfonso del Mar, o condomínio de casas e hotéis onde está a maior piscina do mundo + Viña del Mar e Valparaiso. O que eu vou fazer na praia com esse frio? Sei lá!!! Mas se os gringos podem, eu também posso.
Olha, confesso que pastei um pouco. Parece que eles vivem na era do Cruzado, lembra? Parece terra de milionário.
Uma água? 450 pesos...
Um almoço? 8000 pesos... se for no TGI Fridays, sai uns 18 mil!
Sorvetinho de manga? 690 pesos...
Um carro medio? 11.000.000,00 pesos (não está errado não, 11 milhões!!!)
Confesse, assusta um pouco né?
O que tenho feito é cortar 3 zeros e multiplicar o valor por 4. Mil pesos são R$4,00. Bico! Só assim consigo saber se o Concha y Toro do supermercado é barato. "Muito importante...", diria o Professor Tibúrcio.
E depois dessa eu paro por aqui, vocês não merecem meu humor anos 80, certo?
Hoje foi dia de estréias. Primeiro dia de aula, primeiro dia de passeio, primeiro dia de americanos chatos... Puta, como são chatos!
A aula foi normal, fiz um curso rápido e logo me colocaram em uma sala, nem tão debiloide, nem tão avançada. Engraçado como falam os chilenos, como se eu fosse surdo ou idiota. Pior que se torna necessário, senão não se entende nada.
Depois almoçamos no mercado municipal deles. Legalzinho, mas o nosso da um pau no chileno. Não que tenhamos tantos frutos do mar frescos como eles tem aqui, mas o Mercadão de São Paulo tem muito mais opção de gastronomia, além de ser muito maior. Então se vem a Santiago, vá ao mercadão se gosta de comer frutos do mar. Senão, não perca seu tempo.
Sem contar que conversando com minha familia hoje a noite, descobri que do outro lado do rio existe um segundo mercado, que vende uma refeição como a que comi muito mais barato. De 7500 pesos para 2000 pesos. Só que lá não levam turistas.
Este é o mercadinho de Santiago
Depois andamos pelo centro, em lugares bem de turista. Plaza de Armas, Catedral Metropolitana de Santiago, Cerro Santa Lucia... foi nessa hora que os chatos dos americanos ficaram de viadagem para entrar em um Café con Piernas. Meu deus, é só um café velho, dava vontade de dizer "larga de ser bicha e entra logo nessa bagaça!!!". Parece que nunca viu mulher com saia.
Já falei como são chatos os americanos?
Dentro da Catedral, muito linda. E olha que não gosto de igreja
O centro e o Cerro Santa Lucia, onde nasceu a cidade
Então tirando os americanos "tontos" como dizem os chilenos, foi um dia bom.
Curiodidade do dia, como em outros lugares, aqui existe muita giria. A de hoje é "luca". Como o peso chileno é um tanto quanto cheio de zeros, eles simplificam dizendo "luca".
Marketeiro sem vergonha, coloca tudo em uma planilha antes de tomar uma decisão. Acha que tudo fica bom com Nutella e tem tatuado nas costas um nariz de porco verde.